Varejo mudou: você acompanhou?

O jeito de vender e de comprar no Brasil nunca mudou tão rápido. Em 2025, o setor supermercadista brasileiro faturou R$ 1,067 trilhão, segundo o Ranking ABRAS 2025, um número que equivale a 9,12% do PIB nacional.
Mas o dado que mais interessa a você, dono de mercado, mercearia ou farmácia de bairro, é outro: o varejo de vizinhança cresceu 5,3% no faturamento em 2025¹, acima da média do setor, que foi de 4,1%, de acordo com a pesquisa Radar Varejo de Vizinhança da Scanntech.
O varejo de bairro não só resistiu, ele avançou. A pergunta agora é: o que está impulsionando esse crescimento e como aproveitar? Continue lendo e descubra o que está por trás desse crescimento e o que fazer agora para não ficar para trás.
Leia também: Aposte nessas tendências para o varejo em 2026: o que já está moldando o jogo agora
O que está acontecendo com o varejo no Brasil?
O varejo brasileiro fechou 2025 com crescimento de 1,6% em volume de vendas, segundo o IBGE. Mas crescer não foi fácil. O resultado apareceu no carrinho: Categorias como limpeza e mercearia básica sofreram com a substituição por marcas mais baratas, segundo o Radar Scanntech. Mas o cenário não foi uniforme: o segmento pet cresceu 6,5% em volume no mesmo período, confirmando que o consumidor ainda prioriza categorias com valor emocional percebido ¹.
Esse comportamento de compra revelou algo mais profundo: o consumidor brasileiro está mais seletivo, mais consciente e mais exigente com quem vende para ele. O consumidor de hoje não distingue o físico do digital: ele quer conveniência, confiança e relevância, independentemente de onde estiver comprando.
E é exatamente aí que o varejo de proximidade tem uma vantagem. Lojas menores, enraizadas na comunidade, com atendimento próximo e mix ajustado à realidade do bairro, responderam melhor a esse novo perfil de consumidor.
O que é o novo varejo?
O “novo varejo” não é uma tecnologia específica, é uma mudança de mentalidade. Segundo a CNDL, os pilares que definem esse modelo em 2026 são: tecnologia, experiência e propósito. Na prática, isso significa que o consumidor de hoje:
- Pesquisa antes de comprar, comparando preços, origem e qualidade;
- Valoriza praticidade acima de tudo, quer resolver a compra com o mínimo de esforço;
- Quer ser reconhecido, não apenas atendido; fidelidade se constrói com proximidade e relevância;
- Confia mais em quem é transparente, segundo o relatório Consumer Outlook 2026 da NielsenIQ, consumidores estão gastando intencionalmente e recompensam varejistas e marcas que oferecem confiança, personalização e conveniência.
A principal lição para 2026 é clara: pequenos negócios que mostram quem está por trás do balcão e valorizam o impacto local, conquistam confiança genuína, e isso é uma vantagem competitiva real frente aos grandes varejistas.
Como será o varejo em 2026?
As tendências apontadas a seguir convergem em um ponto: o consumidor está mais seletivo, mais digital e mais exigente com a experiência de compra. Para o varejista de bairro, isso se traduz em 5 movimentos e todos eles podem ser aplicados agora, sem grandes investimentos. Confira:
1. IA: de experimento a ferramenta do dia a dia
Na NRF 2026, cujo tema foi “The Next Now”, a mensagem foi direta: a IA saiu do discurso e virou operação. Conforme o Mundo do Marketing destacou na cobertura do evento, agentes de IA já pesquisam, comparam e recomendam em nome do consumidor.
Como aplicar no seu PDV: Você não precisa de agente de IA, mas precisa ser encontrado por eles. Mantenha o Google Meu Negócio atualizado: horário correto, fotos da loja, resposta às avaliações. Quando alguém pede “mercadinho perto de mim” para um assistente, a sua ficha pode aparecer.
Leia também: Guia de SEO para o varejo: aprenda a aumentar a visibilidade online
2. Pix: o pagamento que não para de crescer
Segundo o Banco Central, o Pix respondeu por 54,7% de todas as transações de pagamento no Brasil no 2º semestre de 2025, e o número de pagamentos via Pix foi 53,5% superior ao total de transações com cartões no mesmo período.
Como aplicar no seu PDV: Aceitar Pix já é o mínimo. O próximo passo é organizar o caixa para que o processo seja rápido, QR Code bem posicionado e visível. E fique de olho no Pix por Aproximação que vai mudar de vez a experiência no seu caixa.
3. O consumidor quer valor e não só preço baixo
Pesquisa da Deloitte com 330 executivos globais do varejo aponta que o consumidor atual avalia procedência, qualidade percebida e relação custo-benefício real antes de decidir.
Como aplicar no seu PDV: O atacarejo vende mais barato, mas não conhece seus clientes. Você conhece. Use isso: lembre o nome de quem entra, indique um produto quando o habitual estiver em falta, avise pelo WhatsApp quando chegou aquela marca que o cliente procurava. Esse tipo de atendimento cria confiança e o cliente que confia não pesquisa preço antes de entrar.
4. Saúde e bem-estar não para de crescer
Conforme a APRAS, essa transformação já aparece nas gôndolas: no acumulado de 2025, categorias como frutas in natura cresceram 6%, peixes 10% e legumes 10% acima da média do canal alimentar. Ainda segundo a APRAS, suplementos para academia cresceram 141% no canal, junto com protetores solares +32%. Além disso, o mercado de vitaminas e suplementos registrou crescimento de 42% em faturamento entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026, segundo levantamento da Interplayers.
Como aplicar no seu PDV: Revise o mix: há espaço para frutas, legumes, suplementos básicos ou produtos funcionais e de bem-estar na sua loja? O consumidor está buscando opções mais saudáveis e se não encontrar em você, vai buscar em outro lugar.
5. O consumidor vai menos vezes, mas gasta mais por visita
De acordo com a McKinsey, o brasileiro está fazendo compras mais planejadas e concentradas, menos visitas, tickets maiores. No varejo alimentar, o preço médio por unidade subiu 6,3% em 2025, enquanto o volume de unidades vendidas caiu 2,1%, segundo a APRAS. O consumidor está gastando mais por ida, mas indo menos vezes.
Como aplicar no seu PDV: Se o cliente vai menos vezes, organize a loja para que cada visita resolva mais. Posicione produtos complementares lado a lado (azeite perto de massas, fraldas perto de lenços umedecidos). Monte combos visíveis de reposição mensal. Quem facilita essa decisão cresce em faturamento sem precisar aumentar o fluxo de clientes.
Leia também: Cross-sell no balcão: como aumentar o ticket médio
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